A ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, informou, hoje, em Luanda, que apesar das mulheres serem a maioria, nas estatísticas, ainda não atingiram os níveis desejados para os cargos de decisão no país.

Teresa Rodrigues Dias baseou-se nos dados preliminares do Censo Geral da População e Habitação de 2024, realizado em Angola, onde a população ficou estimada em 36.604.681 habitantes, deste número, 51 por cento são pessoas do sexo masculino e 49 por cento do sexo feminino.

Teresa Rodrigues Dias falava durante o primeiro Encontro Nacional com as Presidentes dos Conselhos de Administração das Empresas Públicas, onde destacou o contributo das mulheres angolanas no crescimento económico, fortalecimento das instituições em diversos sectores e na reconstrução nacional.

A ministra referiu que as mulheres que hoje fazem parte dos Conselhos de Administração, não são apenas conquistas individuais, mas avanços colectivos na luta pela promoção da igualdade do género.

A governante alertou que as mulheres devem preparar-se profissionalmente para irem preenchendo os lugares de decisão, através da competência, para que estes espaços, sejam sustentáveis e inspiradores às demais. Apesar de que, mesmo estando qualificadas e se prepararem acadêmica e profissionalmente, para assumir cargos de liderança, muitas não encontram as oportunidades esperadas, porque o mercado de trabalho ainda conserva o tradicional preconceito de gênero, em que comandar, chefiar e liderar, são tarefas associadas aos homens.

Avanços da igualdade em Angola

Teresa Rodrigues Dias considera que apesar das dificuldades envolvidas, o Executivo tem feito de tudo para que cada vez mais haja mulheres ocuparem cargos de topo, a nível das empresas públicas e Privadas.

“Porém, temos de continuar a nossa busca incansável por mais oportunidades, para o efeito, as mulheres devem demonstrar mais empenho, engajamento e sentido de compromisso no exercício das suas funções. Felizmente, em Angola, temos um acervo legislativo, voltado para a promoção da igualdade de género, proteção contra violência doméstica e empoderamento económico da mulher”, realçou a ministra do MAPTSS.

Enquadramento histórico

Teresa Rodrigues Dias fez um enquadramento histórico, recordando que a inserção da mulher no mercado de trabalho remonta desde o início do século XIX, época em que se acreditava apenas no homem como único responsável de prover as necessidades da família, enquanto à esposa, cabia zelar pela ordem do lar e educação dos filhos.

Ao longo dos anos, disse, as mulheres passaram a ter acesso ao ensino superior e ao ingresso no mercado de trabalho, ainda, que de forma limitada. “Actualmente, há mais presença da figura da mulher contemporânea e madura, que revela notável competência para o universo empresarial e para o mercado de trabalho em geral”.

Essa realidade, destacou, decorre do processo de globalização que estimulou a conscientização das mulheres, levando-as a reconhecer as suas potencialidades e habilidades, com a finalidade de ocupar posições de liderança que, até então, eram privilégio exclusivo dos homens.